Por Magno Martins
Parte 1
No próximo dia 31 de dezembro fecha-se a contagem dos intermináveis 2.920 (dois mil, novecentos e vinte) dias que Pernambuco sofreu as dores e os horrores do desgoverno de Paulo Câmara. Nunca na história o Estado esteve submetido a tamanhos desmandos e sofrimentos.
Basta dar uma passada na frente do Campo das Princesas para se deparar com a barbárie do mais chocante retrato do abandono do povo pernambucano: a Praça de República e a Rua do Imperador apinhadas de famílias miseráveis, famintas e sem teto. Sem dúvida, a mais tenebrosa fotografia do Pernambuco profundo e real deixado pelo PSB com as digitais de PC.
Como pode alguém com o poder e a chibata nas mãos ficar comendo lagostas, tomando uísques escoceses e vinhos dos mais caros, tudo pago com dinheiro público, enquanto em frente ao Palácio inúmeras famílias padecem e não têm o que comer nem onde morar? Que desprezo, que desumanidade, quanta maldade, quanta crueldade, que só um ser degenerado pode ostentar!
Mas não era só comendo lagostas e bebendo líquidos caros importados não. Ainda mais grave foi a primeira batida da História que a Polícia Federal deu no Campo das Princesas por conta da corrupção relacionada aos pobres das enchentes, na famosa operação Torrentes, conforme noticiou em manchete o sistema Globo: “PF deflagra operação para investigar desvios de recursos destinados a vítimas de enchentes em Pernambuco”.
Só nessa operação emblemática, foram desviados recursos públicos acima de R$ 450 milhões (valores da época), com fraudes em licitações, convênios e corrupção. Quem sabe, outras investigações e, sobretudo, punições, possam ocorrer para o que se fala em relação às compras de merenda escolar, remédios, obras públicas e um infindável rol de atividades destrutivas, incluindo contratos bilionários, como o feito com a Oi, mesmo contra parecer da eminente ministra que foi Corregedora Nacional do Conselho Nacional de Justiça do Brasil e depois entrou no próprio PSB, a baiana Eliana Calmon.
Com Paulo Câmara, Pernambuco ficou como no “Sanatório Geral” de Chico Buarque: “Num tempo, página infeliz da nossa história, passagem desbotada na memória, das nossas novas gerações, dormia, a nossa terra mãe tão distraída, sem perceber que era subtraída, em tenebrosas transações”.
O malsinado Câmara Lenta, como assim ficou marcado para o resto da vida, colocou o então Estado Leão do Norte na nefasta disputa pela trágica liderança para ser o mais desigual e injusto do Brasil. Com ele, Pernambuco alcançou a pior posição quanto às diferenças de renda entre as famílias, segundo dados oficiais do IBGE, página 29, primeira coluna referente ao rendimento domiciliar per capita.
Ao mesmo tempo, o Boletim Desigualdade das Metrópoles aponta que a Região Metropolitana do Recife está entre as três piores posições quanto a renda entre as regiões metropolitanas de todo o País, apenas R$ 831,66 por mês, e, pior, quatro de cada 10 moradores da RMR tinham, no ano passado, renda média mensal de apenas R$ 275,00.
Esse, infelizmente, é o legado dos oito anos de Paulo Câmara manipulando o poder em Pernambuco. O que resta é esperar que o novo Governo, saído eleito democraticamente das urnas, em nome da mudança, junto com as demais instituições federais e estaduais, assumam o compromisso de investigar cada um dos crimes de corrupção praticados contra o povo. E que a Justiça possa merecer esse nome, punindo exemplarmente o responsável principal por toda essa tragédia.
Amanhã, a segunda parte.
Só trouxe miséria – Pernambuco, no penúltimo ano de Câmara Lenta, encerrou 2021 com quase metade da população na linha ascendente da pobreza – 44%, em números exatos. Isso representa 4,2 milhões de pernambucanos passando fome. De acordo com o estudo do Instituto de Mobilidade Social e Desenvolvimento Social (IMDS), essa foi a primeira vez que o indicador ficou acima de 40% na série. O maior percentual até então foi de 38,2%, em 2012.
Campeão em rejeição – Segundo levantamento do instituto de pesquisas Paraná, deste ano, o governador com maior desaprovação no País é o pernambucano Paulo Câmara (PSB). Sua gestão é desaprovada por 69,50%, de acordo com a pesquisa divulgada no início de julho. A aprovação é de 25,40%. O segundo governador no ranking de rejeição é Carlos Moisés (Republicanos-SC). Ele tem 44,50% de desaprovação e 50,40% de aprovação. O terceiro é Ibaneis Rocha (MDB-DF), desaprovado por 42,30% e aprovado por 51,80%.
Epidemia de violência – Em Pernambuco, na era Câmara Lenta, cidades como São Lourenço da Mata (10º), Abreu e Lima (14º), Paulista (16º), Olinda (24º), Jaboatão dos Guararapes (39º), Igarassu (62º) e Camaragibe (73º), na Região Metropolitana; Santa Cruz do Capibaribe (18º), Vitória de Santo Antão (20º), na Zona da Mata, Caruaru (63º) e Garanhuns (57º), no Agreste, e Petrolina (87º), no Sertão, foram campeãs em violência no Estado. Nelas, houve uma média de 37,8 homicídios para cada 100 mil habitantes, índice três vezes maior do que o considerado “epidêmico” pela Organização Mundial de Saúde (OMS). De acordo com a OMS, um município vive uma epidemia de homicídios quando ultrapassa uma taxa de 10 assassinatos para cada 100 mil habitantes.

Nenhum comentário:
Postar um comentário